sexta-feira, 21 de abril de 2017

literatura brasileira contemporânea

1)      "Opisanie Swiata", Verônica Stigger, 2013, Cosac Naify Editora, 160 páginas. Gênero: romance. 


Opalka, cidadão polonês, recebe uma carta de seu filho, a quem desconhecia, relatando seu estado de doença grave e suplicando ao pai que viaje até o estado do Amazonas, no Brasil, para encontrá-lo. Opalka parte. O livro relata a viagem. 

Verônica Stigger, seguindo a linha experimental de seus outros livros ("Gran Cabaret Demenzial", "Os anões", "Delírio de Damasco"), narra esta história a partir de diferentes vozes e linguagens (fotos, anúncios, pequenas chamadas...). O livro ganhou diversos prêmios, entre eles o Prêmio São Paulo de Literatura e o Prêmio Machado de Assis, ambos de 2014. 

Nesta entrevista, a autora explica como foi escrever a obra.


2)      "Rabo de baleia", Alice Sant´Anna, 2013, Cosac Naify, 62 páginas. Gênero: poesia. 




Alice Sant´Anna interliga, nesses poemas, diferentes imagens a respeito de viagens. Viagens imaginadas, segundo a autora. De forte caráter narrativo, os poemas se prendem ao que se vê, como um turista que, ao olhar ao redor, olha-se. 

Nesta entrevista, a autora conta sobre dois livros de seus livros, "Dobradura" e este.


3)      "Cinco Marias", Carpinejar, 2004, Ed. Bertrand Brasil, 123 páginas. Gênero: poesia.





Neste livro, Fabrício Carpinejar mistura as vozes de cinco eu-líricos femininos, mãe e quatro filhas, envolvidas em um mesmo conflito, cada qual com seu ponto de vista: 

" – Mãe, o que estamos fazendo?
 – Vamos enterrar a biblioteca."

4)      "Da arte das armadilhas", Ana Martins Marques, 2011, Companhia das Letras, 83 páginas. Gênero: poesia. 




Ana Martins Marques, nesta obra, divide seus poemas em duas partes: "Interiores", na qual lança a profundidade de seu olhar sobre objetos típicos de uma casa ("Colher", "Garfo", "Regador"); e "Da arte das Armadilhas", local em que, em poemas mais longos, trabalha a linguagem como armadilha, a escrita como descoberta e o amor como açúcar/sal, sol/cera. Das melhores poetas da atualidade. De Minas. 

Aqui, uma entrevista em que a autora discorre sobre o processo criativo de seu terceiro livro, "O livro das semelhanças", e sobre outras coisas mais.



Boa leitura. 

terça-feira, 4 de abril de 2017

Ando colecionando frases

"Ando colecionando frases. Meu quarto está sujo e tenho dormido num colchão. A cama quebrou à noite, já faz alguns meses. Não sei qual mistério me impede de montar a outra cama, que me espera dentro do quarto ainda em suas partes: cabeceira, parafusos, estrado. É uma cama velha, se pudesse falar, me contaria uma boa história. Me diria uma boa frase."


(Clique na ilustração abaixo para continuar lendo a crônica na íntegra. Esta, em que anuncio minha coleção de frases.)



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Formigário



“Rema não gostava de espiá-los, às vezes passava na frente dos quartos e os via com o formigário ao lado da janela, apaixonados e importantes. Nino era especial para apontar rapidamente as novas galerias, e Isabel ampliava o mapa desenhado a tinta numa página dupla. Por conselho de Luis decidiram só aceitar formigas pretas, e o formigário já era enorme, as formigas pareciam furiosas e trabalhavam até de noite, cavando e removendo com mil ordens e evoluções, um alarmado esfregar de antenas e patas, repentinos ataques de furor ou veemência, concentrações e debandadas sem causa visível. Isabel não sabia mais o que anotar, pouco a pouco deixou de lado a caderneta e os dois passavam horas e horas estudando e esquecendo os descobrimentos. Nino já começava a querer voltar para o jardim, falava dos balanços e dos petiços. Isabel o desprezava um pouco. O formigário valia mais que Los Horneros inteiro, e ela adorava pensar que as formigas iam e vinham sem medo de nenhum tigre, às vezes gostava de imaginar um tigrinho do tamanho de uma borracha de apagar, rondando as galerias do formigário; quem sabe ele era a causa das debandadas, das concentrações. E gostava de repetir o mundo grande no de vidro, agora que se sentia presa (...)”



(do conto Bestiário, contido no livro de mesmo nome, Júlio Cortázar, 1951)